Rosângela de Souza ainda se lembra do susto quando o filho sofreu um acidente na Avenida dos Cafezais. Ele voltava de uma partida de futebol acompanhado de outros motociclistas quando um deles se desequilibrou próximo aos blocos de concreto que margeavam a antiga pista. A queda provocou uma sequência de colisões. Um rapaz quebrou a clavícula, outro fraturou a perna. O filho dela escapou com ferimentos leves.
“Até meu filho se acidentou aqui. No dia eram três motos. Eles vinham do futebol, tinham os blocos de cimento, o da frente desequilibrou e os outros bateram. O susto foi muito grande. Agora mudou, está bem mais seguro”, recorda.

Moradora do Paulo Coelho Machado desde a fundação do bairro, Rosângela acompanhou por anos uma Avenida dos Cafezais estreita, deteriorada e congestionada nos horários de maior movimento. Para quem precisava deixar a região pela manhã ou retornar depois de um dia de trabalho, o trajeto podia se transformar em uma longa espera.
Hoje, ela descreve uma rotina diferente.
“Depois da obra, a avenida ficou maravilhosa, rápida e excelente. Ainda tem a ciclovia, que o pessoal usa bastante. Também acabou aquela fila gigantesca de carros nos horários de pico”, afirma.
A mudança percebida por Rosângela ocorreu depois da revitalização e duplicação da avenida, entregue em agosto de 2023 pelo governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição.
Foram investidos R$ 11 milhões na intervenção, que transformou um dos principais acessos da região sul de Campo Grande e atende diretamente moradores dos bairros Canguru, Jardim das Meninas, Macaúbas, Marajoara, Mário Covas, Morada do Sol, Paulo Coelho Machado e Uirapuru.
“Ao melhorar a circulação de veículos e pedestres, a obra também passou a produzir efeitos sobre uma região que já vinha ampliando sua atividade comercial”, explica o governador.
Rosângela percebe isso no próprio trabalho. Dona de um salão de beleza, ela diz que a transformação da avenida ajudou os estabelecimentos instalados nos bairros próximos.
“Eu tenho um salão e digo que as mudanças melhoraram para o comércio. Toda a região cresceu. O morador tem tudo de que precisa.”
Uma avenida para uma região que cresceu
A intervenção alcançou 3,2 quilômetros da Avenida dos Cafezais. O trecho entre a rotatória de acesso aos bairros e a Avenida Gury Marques foi duplicado e recebeu serviços de drenagem e recapeamento. O projeto também incluiu uma alça de acesso pela Rua Patrocínio, ciclovia e nova iluminação pública.
A revitalização respondia a uma demanda antiga dos moradores. Além dos congestionamentos, o pavimento apresentava buracos e problemas recorrentes de conservação. Pela avenida circulavam não apenas os moradores, mas também trabalhadores e consumidores de uma área comercial em expansão.

Foi justamente essa combinação – mais moradores, mais estabelecimentos e uma estrutura viária insuficiente – que aumentou a pressão sobre a Cafezais.
Riedel afirma que a intervenção procurou acompanhar essa transformação urbana.
“A conclusão da revitalização da Cafezais atendeu a população de muitos bairros, que precisavam desta transformação. Além de dar mais segurança para quem passa pelo local todos os dias, também contribuiu para o desenvolvimento do comércio local, que não para de crescer.
O morador pode sair e chegar em casa com mais rapidez, sem o transtorno de antes”, declarou.
Para Ondina Jesus de Moraes, que vive há 18 anos na região, a transformação fica ainda mais evidente quando comparada com os primeiros anos no bairro. Quando chegou, lembra, a avenida sequer era asfaltada.
“Ficou muito melhor, agora está 100%. Ficou bonita, valorizou as casas e o comércio local. Tem tudo aqui, não precisa nem ir para o centro da cidade. Não pretendo sair do bairro”, afirma.
A melhoria da ligação viária coincide com o fortalecimento de uma rede de comércio e serviços capaz de resolver parte das necessidades dos moradores dentro da própria região.
Iluminação amplia uso da avenida
A transformação da Cafezais não ficou restrita às pistas.
O Governo do Estado, som a gestão Riedel, instalou um sistema de iluminação solar composto por 86 postes e 127 luminárias de LED de 100 watts entre a Avenida Gury Marques e a rotatória da Rua Delegado Alfredo Hardman. O investimento chegou a R$ 1 milhão.
Como a energia é captada a partir da luz solar, o sistema dispensa consumo convencional de eletricidade e reduz a exposição ao furto de cabos. A utilização de fonte renovável também integra a proposta ambiental do projeto.
Para quem mora na região, porém, a consequência mais perceptível aparece depois que anoitece.
Com iluminação e ciclovia, a avenida passou a ser utilizada também para caminhadas, corridas e passeios de bicicleta. Um corredor antes lembrado principalmente pelo trânsito difícil passou a cumprir igualmente uma função de convivência, mobilidade ativa e lazer.
Desenvolvimento percebido por quem chegou depois
Nem todas as pessoas que observam essa transformação acompanharam o período mais difícil da Cafezais.
Há dois anos na região, o padre Rodrigo Manegatti encontrou os bairros já em outro estágio de expansão. À frente da Paróquia São João Calábria, que atende nove comunidades, ele afirma que o movimento econômico e urbano chama a atenção.
“Estou aqui na região há dois anos e vemos o desenvolvimento dos bairros. Lojas abrindo, muita gente circulando, novas opções de lazer com esta revitalização da Avenida dos Cafezais”, diz.
Manegatti destaca também que a realidade encontrada contrasta com a imagem frequentemente associada às regiões mais distantes da área central.
“Normalmente essas regiões periféricas têm alguns estigmas, mas o desenvolvimento e novos empreendimentos trazem oportunidades. Aqui tem quase tudo, um comércio bem servido. Estou inserido na comunidade e posso dizer que é uma região muito boa.”
A percepção ajuda a explicar por que uma obra viária assume dimensão maior do que simplesmente reduzir o tempo dentro do carro. “Quando o acesso melhora, trabalhadores conseguem circular com mais facilidade, clientes chegam aos estabelecimentos e novos investimentos encontram uma infraestrutura mais adequada ao crescimento da população”, aponta o governador.
Esporte amplia opções dentro dos bairros
Outros investimentos públicos também vêm modificando espaços de convivência nos bairros atendidos pela Cafezais.
No Paulo Coelho Machado, uma arena esportiva com gramado sintético foi instalada na praça principal. O pastor Paulo Costa Sebastião, que atua no bairro, diz que o espaço passou a atender principalmente crianças e jovens.
“A quadra ficou muito boa, atende muito bem os jovens e crianças do bairro, que têm a oportunidade de jogar bola, fazer esporte em um local adequado”, afirma.
Sua igreja, conta, já realizava atividades esportivas com jovens da comunidade. Para ele, a disponibilidade de uma estrutura apropriada ampliou essa possibilidade.
“O esporte resgata vidas. Aqui eu digo que nem é uma obra, e sim um investimento em vidas.”
Gestora da arena pela Fundação Municipal de Esporte (Funesp), Andreia Aparecida do Carmo Alves acompanha diariamente a diversidade do público que utiliza o espaço. Segundo ela, crianças, jovens, adultos e idosos frequentam a estrutura.
“Cuido do espaço há um ano e meio. Ele foi feito para toda a nossa comunidade. Esporte é saúde. Temos aqui inclusive uma escolinha de futebol, e outras também podem vir jogar e utilizar a arena”, explica.
Além da estrutura instalada no Paulo Coelho Machado, o Governo do Estado executou bases para arenas esportivas nos bairros Coophatrabalho, Coophavila, Dom Antônio Barbosa, Itamaracá, Nova Campo Grande e Zé Pereira.
Habitação chega ao corredor dos Cafezais
Outra transformação começa a tomar forma no início da Avenida dos Cafezais, no sentido centro-bairro.
É ali que está sendo construído o Conjunto Habitacional Manoel de Barros, projetado para atender 164 famílias. O empreendimento também prevê 15 lojas que poderão ser alugadas pelos moradores.
O investimento estadual é de R$ 14,4 milhões.
Integrante do programa Minha Casa, Minha Vida e desenvolvido em parceria entre União, Governo do Estado e município, o projeto incorpora soluções voltadas à sustentabilidade, como captação de água da chuva para reúso, painéis fotovoltaicos, áreas permeáveis, jardins e pisos drenantes, além da preservação de parte da vegetação existente.
Sem muros e com quadra aberta, o residencial também foi concebido para ampliar a integração com o entorno. Estão previstos espaços de recreação, arborização, mobiliário urbano e lojas voltadas para as fachadas principais.
Durante vistoria ao empreendimento, Riedel relacionou o projeto à política habitacional estadual.
“Nada mais satisfatório do que oferecer a casa própria para uma família, principalmente em um espaço de qualidade, com um novo conceito sustentável. A habitação é uma das prioridades da gestão estadual porque realiza sonhos e leva dignidade para o cidadão”, afirmou.
O condomínio acrescenta uma nova dimensão ao processo de transformação dos bairros cortados ou atendidos pela Cafezais: além de facilitar a circulação de quem já vive na região, novos investimentos começam a trazer mais moradores e atividades econômicas para seu entorno.
Esse crescimento, porém, também torna permanente o desafio de acompanhar a expansão urbana com serviços públicos, mobilidade, segurança, equipamentos de lazer e infraestrutura.
Para moradores como Rosângela, as grandes cifras investidas pelo poder público são percebidas por indicadores bem mais simples: quanto tempo se demora para chegar em casa, a segurança do filho ao circular pela avenida, o movimento diante do salão e a possibilidade de caminhar ou pedalar por uma via que durante anos esteve associada a filas, buracos e acidentes.
Na Cafezais, é nessa mudança da rotina que uma obra de infraestrutura deixa de ser apenas concreto e asfalto e passa a fazer parte da vida de quem mora ao redor.


