Em 2028, o Panamá será o anfitrião de um evento transcendental para a bioeconomia global ao receber a cúpula Global Bioeconomy Summit, reunindo atores-chave como cientistas, governos, empresas e fundos de investimento para discutir um modelo econômico sustentável baseado na utilização racional dos recursos naturais e do conhecimento.
A designação do Panamá como sede foi anunciada no encerramento da cúpula de 2026 em Dublin, onde foi destacada a importância da região em termos de biodiversidade.
América Latina e Caribe abrigam cerca de 50% da biodiversidade mundial e 23% das florestas do planeta, o que sublinha a relevância desta área para o desenvolvimento da bioeconomia. Essa riqueza biológica não é apenas vital de uma perspectiva ecológica, mas também oferece oportunidades únicas para o desenvolvimento econômico sustentável.
O evento será organizado pela Secretaria Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação do Panamá (SENACYT) junto com a Rede Latino-Americana de Bioeconomia.
O principal desafio será converter a atenção internacional em projetos concretos, alianças e financiamento que impulsionem o desenvolvimento sustentável da região.
Isso é crucial para que os países possam capitalizar sua biodiversidade de maneira sustentável, assegurando benefícios a longo prazo tanto para o meio ambiente quanto para as economias locais.
Oportunidades para a América Latina
Esta cúpula pretende ser uma plataforma para toda a região, segundo Eduardo Ortega-Barría da SENACYT, que enfatizou a oportunidade de mostrar a riqueza biológica, científica e de inovação da América Latina.
O encontro permitirá aos países compartilhar suas experiências e aprender com as estratégias bem-sucedidas implementadas em outros lugares. Além disso, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) apoia esta iniciativa como um espaço de diálogo internacional sobre o futuro da bioeconomia.
Desde a primeira edição em Berlim em 2015, a Global Bioeconomy Summit reuniu líderes em políticas públicas, cientistas e setores privadosinteressados na bioeconomia. Na edição de 2028, espera-se que governos, universidades e empresas da região apresentem seus avanços e estratégias nesta área emergente.
A participação de múltiplos setores será chave para fomentar a inovação e o desenvolvimento de novas tecnologias que possam ser aplicadas em diferentes contextos.
A liderança regional e seus desafios
Com uma crescente capacidade científica e empresas inovadoras, América Latina e Caribe estão bem posicionados para liderar em bioeconomia.
Segundo o IICA, o centro de gravidade da bioeconomia nas Américas se deslocou para esta região desde 2024, refletindo um enfoque renovado em implementação e financiamento.
Esta mudança foi impulsionada pelo reconhecimento do potencial que a região tem para desenvolver soluções sustentáveis que poderiam ser replicadas globalmente.
O relatório de Políticas de Bioeconomia Global 2026 destaca também as experiências do Brasil, Uruguai, Equador e outros países, mostrando seus enfoques e conquistas em bioeconomia.
A estes esforços se soma a Estratégia de Bioeconomia Amazônica, uma iniciativa compartilhada pelos países da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, que busca concertar esforços para o uso sustentável da região amazônica.
Este enfoque colaborativo é essencial para abordar os desafios comuns e maximizar o potencial da bioeconomia nesta área crítica do planeta.


