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segunda-feira, 27 julho 2026
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Símbolo da integração da América do Sul com o mercado asiático, ponte da bioceânica tem encontro para marcar o “beijo das aduelas”

A ponte é considerada estratégica para consolidar a Rota Bioceânica, ligando os portos do norte do Chile, em Antofagasta e Iquique, passando pelo Paraguai e Argentina, até os portos brasileiros, como o de Porto Murtinho, e futuramente outros da costa atlântica.

Apesar da ligação física entre Brasil e Paraguai ter sido concluída com o chamado “beijo das aduelas”, na quarta-feira (15), o marco que simbolizou a união definitiva da estrutura da Ponte Bioceânica, foi celebrado oficialmente nesta quinta-feira (23).

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, era esperado para participar da cerimônia oficial, mas cancelou sua presença em razão das condições climáticas.

Mesmo com o cancelamento da cerimônia oficial, autoridades brasileiras e paraguaias se uniram sobre a ponte. O evento reuniu representantes dos governos, prefeitos, empresários, diplomatas e equipes técnicas responsáveis pela construção, reforçando a importância estratégica do empreendimento para toda a América do Sul.

Entre as autoridades estava o prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), que destacou a transformação vivida pelo município desde o início das obras.

Segundo ele, a cidade, durante décadas considerada periférica nas grandes rotas econômicas do país, passou a ocupar posição estratégica dentro da integração continental.

– “Vivíamos esquecidos e agora somos o centro das atenções. Essa ponte integra Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e transforma Porto Murtinho em um ponto estratégico da América do Sul”, afirmou.

A declaração reflete um dos principais objetivos do projeto: criar uma nova rota terrestre para o comércio internacional, ligando o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico.

O “beijo das aduelas” aconteceu na noite da quarta-feira (15) – Foto Toninho Ruiz

Segundo informou o vice-ministro de Obras Públicas do Paraguai, Hugo Agustín Arce Palma, a construção da Ponte Bioceânica já atingiu aproximadamente 90% de execução.

A previsão é que toda a estrutura seja concluída em setembro. No lado paraguaio, seguem em andamento cerca de 3,8 quilômetros de acessos pavimentados, que ligarão diretamente a ponte ao traçado principal da Rota Bioceânica.

Do lado brasileiro, também continuam as obras dos acessos terrestres, que somam aproximadamente 13 quilômetros. A conclusão desses trechos é considerada essencial para garantir o funcionamento pleno da nova ligação internacional.

Obras

Construída com recursos da Itaipu Binacional, que investiu cerca de US$ 100 milhões no lado paraguaio, a ponte é executada pelo Consórcio PYBRA, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec Construções e Cidade Ltda.

A obra foi orçada em cerca de US$ 100 milhões (pouco mais de R$ 500 milhões), integralmente financiados pela margem paraguaia da Itaipu Binacional.

Embora o término estrutural da ponte tenha sido concluído, a liberação total do tráfego dependerá da finalização das alfândegas e destas vias de acesso.

A ponte também passará por diversas etapas de acabamento, pavimentação, instalações e testes operacionais até sua entrega definitiva, prevista para o final de novembro de 2026.

Os dois pilares principais e os cabos receberão sensores eletrônicos que monitoram cargas, enviando pulsos para computadores que acompanham os esforços da ponte em tempo real, inclusive, quando veículos passam ou ocorrem eventuais problemas estruturais.

Outros serviços previstos incluem a iluminação fluvial, que garante o tráfego seguro de embarcações no Rio Paraguai, além do acabamento do piso da ponte e instalação de grades de proteção para pedestres e ciclistas, já que a estrutura contará com uma ciclovia.

O projeto também incorporou uma solução ambiental inédita com barreiras de segurança reflexivas para evitar a colisão de aves em voo na estrutura da ponte, além de controles ambientais para evitar que resíduos cheguem ao leito do rio, incluindo estruturas para tratamento de restos de concreto e monitoramento permanente de insumos e combustíveis.

Posteriormente, serão realizados asfaltamento, pintura, colocação de placas sinalizadoras e iluminação ornamental. 

Integração

A Ponte Internacional Bioceânica é considerada uma das obras de infraestrutura mais emblemáticas da América do Sul. Ela integra o Corredor Bioceânico de Capricórnio, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile em uma nova rota logística rumo ao Oceano Pacífico.

Por esse corredor, será escoada a produção agrícola, pecuária, industrial e mineral dos quatro países até os portos chilenos de Mejillones, Antofagasta, Tocopilla e Iquique, reduzindo distâncias, custos de transporte e tempo de viagem, aumentando significativamente a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.

Rota Bioceânica

A estrutura estaiada é considerada estratégica para consolidar a Rota Bioceânica, ligando os portos do norte do Chile, em Antofagasta e Iquique, passando pelo Paraguai e Argentina, até os portos brasileiros, como o de Porto Murtinho, e futuramente outros da costa atlântica.

O Corredor Bioceânico deverá encurtar em mais de 9,7 mil quilômetros a rota marítima das exportações brasileiras, principalmente aquelas oriundas do Sudeste e do Centro-Oeste, para a Ásia. Em uma viagem para a China, a estimativa é de redução de 23% no tempo de transporte, o equivalente a 12 a 17 dias a menos.

Segundo a Receita Federal, o fluxo inicial estimado é de 250 caminhões por dia, podendo aumentar à medida que a Rota se consolide como alternativa logística de exportação e importação para o Mercosul e a Ásia.

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