A transição energética mundial pode representar uma oportunidade estratégica para o Brasil impulsionar sua economia, atrair investimentos internacionais e ampliar a participação de produtos de maior valor agregado nas exportações.
Com uma matriz elétrica predominantemente renovável e abundância de recursos naturais, o país reúne condições favoráveis para se consolidar como um dos principais destinos de indústrias comprometidas com a redução das emissões de carbono.
Essa perspectiva é apresentada em estudo desenvolvido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS), em parceria com a London School of Economics (LSE). O levantamento destaca que as vantagens brasileiras podem ser transformadas em crescimento econômico, especialmente em setores que combinam inovação tecnológica, sustentabilidade e competitividade internacional.
Entre as atividades com maior potencial estão a produção de aço verde, o agronegócio, a bioeconomia e o processamento industrial de biomassa. Esses segmentos podem aproveitar a disponibilidade de energia limpa para reduzir custos ambientais, agregar valor à produção e conquistar mercados cada vez mais exigentes em relação à origem e à pegada de carbono dos produtos.
Agronegócio e bioeconomia ampliam oportunidades
Para estados com forte presença do agronegócio, como Mato Grosso do Sul, a transformação da matriz energética também abre perspectivas de diversificação econômica. A produção de biocombustíveis, a expansão da indústria de celulose e o aproveitamento de resíduos agroindustriais representam oportunidades para integrar sustentabilidade e desenvolvimento regional.
A crescente demanda internacional por produtos com menor intensidade de carbono pode favorecer investimentos em novas plantas industriais, tecnologias de processamento e cadeias produtivas ligadas à biomassa.
Nesse cenário, Mato Grosso do Sul apresenta vantagens pela expansão da base florestal, pela presença de grandes empreendimentos industriais e pela capacidade de produção agropecuária. O aproveitamento desses fatores pode fortalecer a industrialização e ampliar a geração de empregos e renda no Estado.
Juros elevados e infraestrutura ainda limitam investimentos
Apesar das condições favoráveis, transformar o potencial brasileiro em resultados econômicos depende da superação de obstáculos estruturais. O custo elevado do crédito, as deficiências logísticas e as dificuldades de acesso a financiamentos de longo prazo estão entre os principais entraves identificados pelo estudo.
A modernização da infraestrutura de transportes, a ampliação da capacidade de transmissão de energia e a criação de mecanismos de financiamento competitivo são consideradas medidas importantes para atrair empreendimentos industriais de grande porte.
Outro desafio envolve a construção de políticas públicas capazes de oferecer segurança jurídica, previsibilidade regulatória e condições para que empresas nacionais e estrangeiras realizem investimentos de longo prazo.
Energia limpa pode se tornar diferencial competitivo
A reorganização das cadeias produtivas globais, impulsionada pela necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa, tende a aumentar a procura por países capazes de oferecer energia renovável em escala industrial.
Nesse contexto, o Brasil pode deixar de atuar predominantemente como fornecedor de matérias-primas e ampliar sua participação na produção de bens industrializados com maior conteúdo tecnológico e menor impacto ambiental.
O avanço dessa estratégia, entretanto, dependerá da capacidade de converter as vantagens naturais em ganhos efetivos de produtividade, inovação e competitividade.
Mais do que uma agenda ambiental, a transição energética surge como uma oportunidade de desenvolvimento econômico. Para o Brasil, o desafio será aproveitar essa transformação para atrair capital, fortalecer sua indústria e construir novas fontes de crescimento sustentável nas próximas décadas.


