HomeCotidianoViolência política de gênero é debatida em Simpósio Nacional realizado no TJMS

Violência política de gênero é debatida em Simpósio Nacional realizado no TJMS

O Auditório do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul recebeu, na tarde desta quinta-feira, dia 13 de agosto, o 2º Simpósio Nacional pela Paridade de Gênero, que neste ano teve como tema “Violência Política de Gênero”.

O evento reuniu autoridades, representantes de instituições públicas e da sociedade civil para discutir os obstáculos enfrentados pelas mulheres nos espaços de poder e decisão, além de estratégias para ampliar a participação feminina na política e fortalecer a democracia.

A iniciativa é promovida pelo Fórum Permanente pela Paridade Institucional e Política das Mulheres, espaço de articulação criado em 2021 e consolidado por decreto municipal, que reúne entidades governamentais e não governamentais em defesa da igualdade e da equidade de gênero.

Compuseram a mesa de abertura a secretária-executiva de Políticas para a Mulher (Semu) de Campo Grande, Angélica Fontanari; a primeira-dama do Estado, Mônica Riedel; a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes; e a juíza Tatiana Dias de Oliveira Said, titular da 4ª Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, representando também a desembargadora Sandra Artioli, responsável pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJMS.

Ao abrir o evento, Angélica Fontanari destacou a relevância do tema e o papel do fórum na construção de uma sociedade mais igualitária. Segundo ela, a violência política de gênero representa uma tentativa de afastar mulheres da vida pública e dos espaços de decisão.

Enfrentando a Violência Política de Gênero

“Quando uma mulher desiste de uma candidatura por medo ou deixa de se posicionar por receio de represálias, não é apenas ela que perde. Perdem a democracia, a sociedade e as instituições, que deixam de contar com metade das vozes e das soluções”, afirmou.

A secretária ressaltou ainda que a paridade de gênero não pode ser apenas uma meta numérica, mas uma garantia de participação efetiva e segura das mulheres. “Não há participação plena onde há medo. Enfrentar a violência política de gênero é condição para que a paridade se torne uma realidade substantiva”, completou.

Representando o Governo do Estado, a primeira-dama Mônica Riedel falou sobre a importância da representatividade feminina para inspirar novas gerações a ocupar espaços historicamente negados às mulheres.

“Quando falamos de representatividade, falamos de olhar para uma mulher que chegou a determinado lugar e perceber que também é possível estar ali. Quantos sonhos deixaram de ser realizados porque alguém acreditou que aquele espaço não lhe pertencia?”, questionou.

Mônica destacou ainda a necessidade de criar oportunidades e ampliar políticas públicas voltadas à autonomia feminina. Segundo ela, iniciativas de capacitação profissional e educação são ferramentas importantes no combate às desigualdades e à violência. “Precisamos mudar aquilo que já não faz sentido. Não faz sentido que ainda não tenhamos a representatividade que as mulheres merecem na política e em tantas outras áreas”, declarou.

Primeira mulher eleita prefeita de Campo Grande em seus 127 anos de história, Adriane Lopes compartilhou experiências pessoais relacionadas à violência política de gênero e ressaltou que mulheres em cargos de liderança ainda enfrentam resistência e invisibilização. A prefeita também defendeu o fortalecimento da sororidade e a participação dos homens na construção de uma sociedade mais igualitária.

A juíza Tatiana Dias de Oliveira Said destacou que as mulheres enfrentam julgamentos constantes e uma cobrança diferenciada quando ocupam posições de liderança. “Somos julgadas em todos os momentos, desde a roupa que usamos até as decisões que tomamos. Para nós, tudo parece ser visto com uma lente de aumento”, observou.

A magistrada também chamou atenção para a sub-representação feminina nas estruturas de poder. “As mulheres são maioria da população e do eleitorado brasileiro, mas ainda são minoria nos cargos de liderança do Executivo, do Legislativo e também nos postos mais altos do Judiciário. Precisamos refletir sobre isso e compreender que essa desigualdade não pode ser naturalizada”, afirmou.

A primeira palestra do simpósio foi conduzida pela advogada e professora universitária Isabela Damasceno, especialista em Direito Eleitoral e Constitucional, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB de Minas Gerais e membro da Comissão de Direito Eleitoral do Conselho Federal da OAB.

Com o tema “O Xadrez das Cotas: Paridade de Gênero e Raça nas Eleições 2026”, a palestrante abordou os desafios enfrentados pelas mulheres que ingressam na política e a importância das ações afirmativas para ampliar a representatividade feminina.

Durante sua exposição, Isabela destacou que a violência política de gênero se manifesta de diversas formas, desde a invisibilização e a dificuldade de acesso a recursos até situações de assédio e interrupções constantes da fala das mulheres nos espaços de poder.

“A violência política cria um ambiente hostil e sub-representado para as mulheres. Somos maioria da população e do eleitorado, mas continuamos sendo minoria nos cargos de decisão. É preciso questionar por que essa realidade ainda é vista como algo normal”, afirmou.

A especialista também ressaltou que as mulheres que se colocam à disposição para disputar cargos eletivos já demonstram coragem ao enfrentar críticas, ataques e diferentes formas de violência. “Só o fato de lançarem seus nomes e se disporem a ocupar esses espaços já é motivo de reconhecimento. É preciso fortalecer essas mulheres para que não desistam de ocupar o lugar que lhes pertence”, concluiu.

A programação do simpósio prosseguiu com debates sobre mecanismos de enfrentamento à violência política de gênero e estratégias para ampliar a participação das mulheres nos processos eleitorais e nos espaços de liderança, especialmente diante da preparação para as eleições de 2026.

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