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Debate na Globo: Flávio mostra que o Brasil do século XXI exige soluções além do modelo de Lula

Em seu terceiro mandato, Lula volta a prometer soluções para problemas que atravessaram seus próprios governos, enquanto Flávio Bolsonaro apresenta uma alternativa política mais conectada às transformações do mundo contemporâneo.

Quando um governante promete novamente aquilo que já prometeu em eleições anteriores, o eleitor tem o direito de exigir explicações. O que impediu a realização? Faltaram recursos, competência administrativa, articulação política ou prioridade?

A autoridade de um Presidente não nasce da intensidade com que defende suas afirmações e se coloca como o dono da verdade, mas da capacidade de sustentá-las com fatos.

E, depois de três mandatos, Lula precisa ser avaliado menos pelo que promete e muito mais pelo que efetivamente realizou.

O debate

Nesse contexto, o debate promovido pela Rede Globo, na noite desta sexta-feira (23), foi capaz de demonstrar que Lula do PT, de 80 anos, é um candidato que insiste em buscar no passado as respostas para os desafios do presente, enquanto Flávio Bolsonaro (PL), de 45 anos, apresenta sua experiência política e uma visão de futuro alinhada às exigências de um mundo em acelerada transformação.

Na política, o caráter, a honestidade e o compromisso de um governante com sua gente,  se revelam na distância entre aquilo que promete e aquilo que efetivamente entrega.

E, quando um presidente disputa mais uma eleição prometendo resolver problemas que persistiram durante seus próprios mandatos, é legítimo perguntar por que essas soluções ainda não foram implementadas.

Lula está em seu terceiro mandato presidencial. Governou o Brasil entre 2003 e 2010 e voltou ao Palácio do Planalto em 2023. Portanto, não pode se apresentar ao eleitorado como alguém que desconhece os obstáculos administrativos, políticos e econômicos que impedem o país de avançar, como fez no debate da Globo desta sexta-feira.

O discurso do candidato do PT continua recorrendo a compromissos conhecidos: melhorar a segurança pública, ampliar o atendimento à saúde, fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), expandir o saneamento básico, concluir obras estruturantes no Nordeste e melhorar a educação – todos abordados de forma genérica.

São compromissos relevantes, mas que exigem uma pergunta inevitável: por que um presidente que já teve tantos anos para enfrentar esses problemas continua apresentando as mesmas promessas como se estivesse disputando sua primeira eleição?

A experiência não pode ser confundida com a repetição permanente de fórmulas políticas.

O Brasil dos brasileiros do presente e do futuro não é o Brasil de 2003. A economia mundial passou por transformações profundas, a inteligência artificial está redesenhando o mercado de trabalho, novas tecnologias modificam a produção industrial, a segurança pública exige inteligência e integração de dados, e a competitividade internacional depende cada vez mais de inovação, produtividade e qualificação profissional.

Nesse cenário, governar exige compreender que o Estado precisa se modernizar, que o setor produtivo demanda previsibilidade, que a população espera serviços públicos eficientes e que o Brasil precisa disputar oportunidades em uma economia global cada vez mais tecnológica.

É justamente nesse ponto que o candidato do PT exibe todas as suas limitações. Sua narrativa política continua excessivamente vinculada às experiências de seus governos anteriores, como se o passado fosse suficiente para legitimar sua permanência no poder.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, evidencia o contraste geracional e, acima de tudo, político. E representa um conjunto de lideranças que emergiu no Brasil, capaz de dialogar com as novas demandas econômicas e sociais. Não é à toa que Flávio conta com apoio de governadores eleitos em 14 estados e do Distrito Federal, caso Celina Leão seja eleita.

Outro aspecto que merece reflexão é a reação do candidato do PT, principalmente diante de questionamentos sobre suas opiniões. Essa característica ficou evidente em um momento específico durante o debate, envolvendo o jornalista César Tralli, e a divergência com o candidato do PT sobre se o tema era educação ou ensino integral (como aparecia na tela para escolha dos candidatos).

Lula insistiu que o tema não era ensino integral e, sim, educação – demonstrando toda sua dificuldade e impaciência em admitir interpretações diferentes das suas e ser o dono da verdade.

O problema não está em discordar de um jornalista ou defender os números e resultados de uma administração. Isso faz parte do debate democrático. A questão é quando a convicção política parece se sobrepor à disposição de se submeter a esclarecimentos.

Um presidente da República não pode agir como proprietário exclusivo da verdade. Sua responsabilidade é responder a questionamentos com transparência, apresentar resultados verificáveis e reconhecer os desafios que ainda não conseguiu superar.

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro concentrou seu posicionamento na capacidade de apresentar soluções para problemas que afetam diretamente a vida dos brasileiros, ao enfatizar temas como infraestrutura digital, segurança pública, juros e custo de vida.

E mais importante, associou sua candidatura à necessidade de mudanças estruturantes no país.

Acuado, o candidato do PT insistiu na valorização das realizações que ele considera “históricas” e na continuidade de sua ultrapassada gestão.

A disposição de Flávio em discutir caminhos diferentes representa um elemento importante em uma eleição na qual o país precisa decidir como enfrentará os desafios dos próximos quatro anos.

Talvez a maior contribuição do debate da Globo tenha sido a possibilidade de observar como cada candidato se comporta diante das próprias contradições.

O candidato do PT tem o direito de defender seu legado. Mas o eleitor também tem o direito de questionar se esse legado é suficiente para justificar mais quatro anos de governo. Hipótese que Flávio combateu durante todo o debate com propostas e compromissos que representam efetivamente um projeto de modernização do Estado, crescimento econômico e melhoria dos serviços públicos.

O debate da Globo mostrou que o Brasil não pode permanecer condicionado às mesmas discussões, aos mesmos conflitos e às mesmas promessas que marcaram décadas anteriores.

É nesse contexto que a candidatura de Flávio Bolsonaro se apresenta como alternativa ao modelo político, com claros sinais de esgotamento, do candidato do PT.

Lula continua defendendo o passado como principal argumento para permanecer no poder. Flávio se esforça para mostrar ao eleitor que sua experiência parlamentar e suas propostas podem abrir um novo ciclo político no Brasil.

E uma questão precisa estar no centro dessa escolha: o Brasil deve continuar apostando nas promessas de quem já teve inúmeras oportunidades de realizá-las ou exigir um projeto de país capaz de responder às transformações do presente e às exigências do futuro?

Porque o futuro de uma nação não se constrói com a repetição indefinida de promessas.


Por Ulysses Cosenza, jornalista/publicitário e CEO do Grupo UCRcom com sede em Brasília e que edita o website Conectems em Campo Grande/MS.


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