A entrada do MDB nas articulações de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) acrescenta um novo elemento à disputa presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com anúncio previsto para esta terça-feira (13), em São Paulo, o movimento ocorre em um momento de intensificação das alianças partidárias e de mobilização dos governadores para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A dimensão política do MDB está na presença de seus dirigentes em municípios de todo o país, além de sua representação no Congresso Nacional. O partido reúne uma ampla rede de prefeitos, vereadores, deputados e senadores, estrutura que deverá ser mobilizada durante as duas últimas semanas da campanha.
O anúncio está previsto para as 15h30, no escritório político do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos participantes das articulações em torno da candidatura de Flávio.
A movimentação ocorre após uma série de manifestações de apoio de governadores e lideranças regionais, que passaram a organizar agendas políticas e eleitorais para a reta final da campanha.
MDB reúne 17 diretórios favoráveis à candidatura
A articulação conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas, pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e pelo presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, já reúne pelo menos 17 diretórios estaduais favoráveis a Flávio Bolsonaro.
Entre eles estão São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A posição, entretanto, não é unânime: setores do MDB ligados ao governo Lula, especialmente no Norte e Nordeste, resistem à adesão.
O anúncio desta terça-feira deverá representar a formalização do apoio desse conjunto de diretórios.
Governadores reforçam palanques regionais
A articulação com os governadores constitui outra frente da campanha de Flávio Bolsonaro. Entre as principais lideranças estão Tarcísio de Freitas, em São Paulo; Eduardo Riedel, em Mato Grosso do Sul; Daniel Vilela, em Goiás; Sergio Moro, no Paraná; e Douglas Ruas, governador eleito do Rio de Janeiro.
Ruas participou de encontro com Flávio em Brasília, ao lado de outros governadores eleitos. A reunião reuniu representantes de diferentes partidos, incluindo PL, Republicanos, PP e MDB, em uma demonstração de articulação política para o segundo turno.
No Distrito Federal, a candidatura também conta com o palanque de Celina Leão (PP), que disputa o governo local, além dos apoios das senadoras eleitas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis (PL).
Resultado do primeiro turno estabelece ponto de partida
Flávio Bolsonaro chega à etapa decisiva da eleição após receber aproximadamente 56,1 milhões de votos no primeiro turno, correspondentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu cerca de 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A votação de Flávio apresentou percentuais elevados em estados como Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Mato Grosso e Acre. Também registrou resultados expressivos em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rio de Janeiro.
Esse cenário tem colocado à campanha de Flávio Bolsonaro o desafio de ampliar a votação entre eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno, conquistar parte dos indecisos e mobilizar novamente seus respectivos eleitorados, além de tentar levar às urnas os ausentes na votação de 04 d outubro.
Votação de Flávio Bolsonaro por estado e no Distrito Federal
Primeiro turno — 4 de outubro de 2026 | Percentuais sobre votos válidos
|
Estado |
Votos de Flávio |
% dos válidos |
|---|---|---|
|
Acre (AC) |
302.807 |
64,56% |
|
Alagoas (AL) |
735.718 |
40,45% |
|
Amapá (AP) |
212.278 |
45,67% |
|
Amazonas (AM) |
978.764 |
45,00% |
|
Bahia (BA) |
2.442.585 |
28,53% |
|
Ceará (CE) |
1.758.850 |
31,27% |
|
Distrito Federal (DF) |
909.616 |
51,31% |
|
Espírito Santo (ES) |
1.233.194 |
54,78% |
|
Goiás (GO) |
2.051.888 |
53,60% |
|
Maranhão (MA) |
1.293.040 |
30,90% |
|
Mato Grosso (MT) |
1.298.581 |
65,15% |
|
Mato Grosso do Sul (MS) |
873.351 |
58,60% |
|
Minas Gerais (MG) |
5.777.548 |
48,24% |
|
Pará (PA) |
2.163.957 |
44,50% |
|
Paraíba (PB) |
831.377 |
33,07% |
|
Paraná (PR) |
3.945.345 |
59,91% |
|
Pernambuco (PE) |
1.738.043 |
31,03% |
|
Piauí (PI) |
517.028 |
24,09% |
|
Rio de Janeiro (RJ) |
4.966.844 |
53,01% |
|
Rio Grande do Norte (RN) |
720.493 |
34,77% |
|
Rio Grande do Sul (RS) |
3.573.783 |
55,64% |
|
Rondônia (RO) |
652.988 |
67,45% |
|
Roraima (RR) |
231.322 |
71,06% |
|
Santa Catarina (SC) |
3.000.020 |
66,65% |
|
São Paulo (SP) |
12.922.023 |
51,93% |
|
Sergipe (SE) |
417.839 |
30,63% |
|
Tocantins (TO) |
469.521 |
50,44% |
Fonte: TSE
Em números absolutos, São Paulo concentrou a maior votação de Flávio Bolsonaro, com mais de 12,9 milhões de votos, seguido por Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Já em termos proporcionais, os maiores percentuais foram registrados em Roraima, Rondônia, Santa Catarina e Mato Grosso.
Em Mato Grosso do Sul, Flávio recebeu 873.351 votos, correspondentes a 58,60% dos votos válidos. No Distrito Federal, foram 909.616 votos, ou 51,31%.
Esses resultados mostram o desempenho efetivo do candidato em 4 de outubro.
O que pode mudar até 25 de outubro
O trabalho da coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro tem se concentrado em transformar os novos apoios em votos adicionais.
A adesão de diretórios do MDB pode ampliar a estrutura de campanha nos municípios, enquanto os governadores aliados já estão contribuindo com agendas regionais, mobilização partidária e participação de lideranças locais.
O apoio de ex-candidatos à Presidência também integra esse processo. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury estão entre os nomes que declararam apoio a Flávio após o primeiro turno.
A campanha entra, portanto, em sua fase decisiva com Flávio Bolsonaro ampliando sua rede de alianças.


