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Dívida pública acima de R$ 11 trilhões e endividamento das famílias evidenciam erros do governo Lula

Com juros elevados, contas públicas no vermelho e mais de 80% das famílias endividadas, Brasil enfrenta o desafio de controlar o avanço da dívida e recuperar a capacidade de consumo da população.

O Brasil chega à reta final de 2026 enfrentando dois problemas que colocam em evidência os desafios econômicos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): o crescimento da dívida pública, que já ultrapassa R$ 11 trilhões, e o elevado endividamento das famílias brasileiras.

Enquanto o governo enfrenta dificuldades para equilibrar suas contas, milhões de consumidores comprometem uma parcela crescente da renda com empréstimos, financiamentos e cartões de crédito.

Os números mais recentes do Banco Central e da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revelam um cenário de pressão sobre as finanças públicas e o orçamento doméstico, com reflexos sobre o consumo, os investimentos e as perspectivas de crescimento da economia.

Em agosto, a dívida bruta do Governo Geral alcançou R$ 11,1 trilhões, equivalentes a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). O indicador avançou 4,2 pontos percentuais do PIB desde dezembro de 2025, impulsionado principalmente pela incorporação de juros ao estoque da dívida.

O custo dessa dívida também preocupa. Nos 12 meses encerrados em agosto, os juros nominais do setor público somaram R$ 1,182 trilhão, equivalentes a 8,86% do PIB. Considerando juros e resultado primário, o déficit nominal chegou a R$ 1,264 trilhão no mesmo período.

Famílias endividadas: mais de oito em cada dez têm contas a pagar

A situação das famílias brasileiras também revela dificuldades. Pesquisa divulgada pela CNC em outubro mostra que 81,7% das famílias possuíam algum tipo de dívida em setembro, percentual ligeiramente inferior ao recorde de 82% registrado em agosto.

Apesar da pequena redução, o endividamento permanece em patamar elevado. O levantamento aponta ainda que 29,6% das famílias tinham contas em atraso, enquanto 12,5% declaravam não ter condições de quitar seus compromissos vencidos.

Outro indicador preocupante é o comprometimento da renda. Em setembro, as famílias destinavam, em média, 29,6% dos rendimentos ao pagamento de dívidas, acima dos 29,3% registrados em agosto. O tempo médio de atraso chegou a 65,3 dias, o maior desde novembro de 2024.

Juros elevados ampliam dificuldades e reduzem poder de compra

O custo do crédito é outro fator que pressiona o orçamento das famílias. Segundo o Banco Central, a taxa média de juros das operações com recursos livres para pessoas físicas chegou a 61,7% ao ano em agosto, com aumento de 2,9 pontos percentuais em relação ao mesmo mês de 2025.

As modalidades mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o crédito parcelado, contribuem para ampliar o peso das prestações e dificultar a reorganização financeira dos consumidores.

Dados do Banco Central também mostram que o endividamento das famílias, medido em relação à renda acumulada em 12 meses, alcançou 49,9% em julho. Já o comprometimento da renda com o serviço das dívidas chegou a 28,7%, indicando que uma parcela expressiva dos rendimentos é direcionada ao pagamento de juros e prestações.

Esse cenário afeta diretamente o comércio e os serviços. Com menos dinheiro disponível depois do pagamento das despesas essenciais e dos compromissos financeiros, as famílias tendem a adiar compras, reduzir gastos e evitar novos financiamentos.

Governo Lula não consegue equilibrar contas públicas

O crescimento da dívida pública representa um dos principais desafios da política econômica do terceiro mandato de Lula. Embora o governo tenha adotado medidas para ampliar a arrecadação e sustentar o financiamento de programas sociais e investimentos, o avanço dos juros e os déficits fiscais continuam pressionando o endividamento.

Nos 12 meses encerrados em agosto, o setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 82,1 bilhões, equivalente a 0,62% do PIB. Esse resultado não inclui as despesas com juros, que representam a maior parcela do déficit nominal.

A expansão da dívida não decorre exclusivamente dos gastos primários do governo. A política de juros, a evolução da atividade econômica, as necessidades de financiamento e outros fatores também influenciam o indicador. Ainda assim, a dificuldade de estabilizar a relação entre dívida e PIB amplia a pressão por medidas de equilíbrio fiscal.

O desafio do governo é conciliar a manutenção de políticas públicas e investimentos com a necessidade de demonstrar capacidade de controlar o endividamento no médio e longo prazo.

Endividamento ameaça crescimento do consumo e da economia

Os efeitos dessa combinação já aparecem nas perspectivas de crescimento econômico. Com famílias comprometendo uma parcela elevada da renda e empresas enfrentando custos financeiros expressivos, o consumo perde força como motor da atividade.

Projeções de economistas apontam que o crescimento do consumo das famílias poderá ficar abaixo de 1% em 2026 e 2027, em um movimento de desaceleração associado ao endividamento, às condições de crédito e à menor expansão do mercado de trabalho.

O quadro cria um desafio duplo: reduzir a pressão sobre as contas públicas e, ao mesmo tempo, oferecer condições para que as famílias recuperem sua capacidade de consumo.

A queda registrada em setembro nos percentuais de endividamento e inadimplência representa um sinal de melhora, mas ainda insuficiente para caracterizar uma reversão consistente da situação financeira dos brasileiros.

Com a dívida pública acima de R$ 11 trilhões e mais de oito em cada dez famílias com compromissos financeiros, o Brasil enfrenta um cenário que exige atenção tanto à sustentabilidade fiscal quanto ao orçamento da população.

O avanço da dívida pública aumenta a necessidade de financiamento do Estado, enquanto o elevado comprometimento da renda familiar limita o consumo e pode enfraquecer a atividade econômica.

A evolução dos juros, o controle dos gastos, a trajetória da arrecadação e a recuperação do poder de compra serão determinantes para definir se o país conseguirá reduzir essas pressões nos próximos anos.

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