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segunda-feira, 6 julho 2026
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Antes de entrar em vigor, novo tarifaço de 25% dos EUA ao Brasil, tem audiência pública em Washington nesta segunda e terça-feira

A proposta dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras será submetida a consulta pública antes de uma decisão definitiva e, se aprovada, poderá entrar em vigor a partir de 15 de julho.

A audiência pública do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) ocorre em duas sessões, nesta segunda e terça-feira (06 e 07). As sessões acontecem na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington.

O objetivo das sessões promovidas pelo USTR é ouvir diferentes atores sobre as políticas comerciais do Brasil, discutindo a possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros recomendada pelo órgão americano

Tarifaço de 25%

Embora a medida tenha gerado preocupação entre exportadores, um estudo da consultoria Íntegra Associados aponta que seu alcance efetivo tende a ser menor do que aparenta à primeira vista: apenas 31% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano seriam efetivamente atingidas pela nova tributação, o equivalente a US$ 11,7 bilhões.

O levantamento analisou a lista de produtos incluídos e excluídos da investigação comercial conduzida pelo governo americano e concluiu que cerca de 1,7 mil itens ficaram de fora da nova tributação, além de diversos produtos que já estavam sujeitos a outras tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Na prática, embora a tarifa anunciada seja de 25%, ela não incidiria sobre toda a pauta exportadora brasileira para os EUA.

A consultoria estima que os impactos macroeconômicos tendem a ser limitados. Isso porque os Estados Unidos responderam por 10,8% das exportações brasileiras em 2025, enquanto a economia brasileira mantém um grau relativamente baixo de abertura comercial em comparação com outros países.

“O impacto agregado sobre a economia deve ser relativamente pequeno, mas alguns setores podem sofrer perdas importantes”, afirma o estudo.

Indústria tem maior risco

O levantamento mostra que os efeitos da medida seriam concentrados na indústria de transformação, responsável por 94% do valor exportado sujeito à nova tarifa.

Entre os segmentos mais expostos aparecem fabricantes de máquinas e equipamentos, produtos manufaturados de madeira, armamentos, motores e produtos químicos.

Segundo a Integra Associados, a nova rodada de tarifas apresenta uma característica diferente da observada anteriormente.

Enquanto as medidas anteriores atingiam principalmente commodities e produtos básicos, a nova proposta concentra-se em bens manufaturados de maior valor agregado e intensidade tecnológica.

De acordo com o estudo, 54% dos produtos atingidos pertencem aos segmentos de média-alta e alta tecnologia, aumentando o potencial de impacto sobre parte da indústria brasileira.

O relatório destaca, por outro lado, que importantes produtos da pauta exportadora brasileira permaneceram fora da nova rodada tarifária.

Entre eles estão petróleo, café, carne bovina, celulose e suco de laranja, alguns dos principais itens vendidos pelo Brasil ao mercado americano.

A exclusão desses produtos ajuda a explicar por que o alcance efetivo da medida é significativamente menor do que o inicialmente sugerido.

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