De um apartamento de 520 metros quadrados em um dos prédios mais luxuosos no setor Noroeste, em Brasília, com elevador panorâmico e uma unidade por andar, onde mora, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa, experimenta agora as agruras de uma cela de 10 metros quadrados no Centro de Detenção Provisória I, no Complexo da Papuda, no Distrito Federal. A ala é conhecida como PDF4, onde ficam detentos considerados de maior relevância ou que exigem medidas especiais de segurança.
O ex-presidente do BRB, está em cela individual, sem contato com a massa carcerária, como forma de garantir sua integridade física e evitar qualquer tipo de influência sobre outros detentos.
Na unidade prisional, ele ocupa uma cela com beliches de concreto e um espaço separado para banheiro, equipado com vaso sanitário e chuveiro. Como os demais detentos, recebeu uniforme padrão branco, composto por camiseta, calça e bermuda com elástico.

De acordo com a Polícia Federal (PF), há fortes indícios de que Costa tenha negociado o recebimento de aproximadamente R$ 150 milhões em imóveis de alto padrão como pagamento de propina. Os bens teriam sido articulados com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio às tratativas para a aquisição da instituição pelo BRB — um negócio estimado em cerca de R$ 22 bilhões.
Empenho por Vorcaro
Paulo Henrique Costa afirmou, em conversa com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que seguia empenhado nas tratativas de interesse do agora ex-banqueiro e que estava “virando noite” para tentar resolver pendências da operação entre os dois bancos.
As mensagens constam da decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que cita diálogos entre Vorcaro e Paulo Henrique para sustentar a existência de uma relação de proximidade e alinhamento entre os dois.
O BRB comprou ativos e carteiras de crédito do Master entre julho de 2024 e outubro de 2025. Conforme os autos, as operações teriam alcançado R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente irregulares adquiridas pelo banco estatal, apesar de pareceres técnicos e jurídicos contrários à operação financeira.
Para Mendonça, o envolvimento de Paulo Henrique Costa “não se limita a uma negligência administrativa ou deficiência de governança, mas alcança, em tese, a adesão consciente ao arranjo criminoso”, com atuação deliberada para favorecer a liquidez do Banco Master em troca de vantagens indevidas.
De acordo com a decisão, um outro preso na operação, o advogado Daniel Monteiro, teria estruturado empresas de fachada para ocultar patrimônio, documentos e conferir aparência de legalidade às operações financeiras.
As investigações apontam negociação estimada em R$ 146 milhões em imóveis de luxo entre Daniel Vorcaro e o então presidente do BRB.
Ainda conforme o processo, as tratativas foram suspensas após Vorcaro tomar conhecimento das apurações sobre o suposto esquema de pagamento de propinas e ocultação patrimonial, no qual Monteiro atuaria como operador jurídico-financeiro.
Referendo
Na avaliação do ministro André Mendonça, as medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes diante do grau de articulação dos investigados, da complexidade do esquema e da continuidade dos atos de lavagem de dinheiro.
Após determinar as prisões, o relator solicitou a inclusão do processo em pauta da Segunda Turma, em sessão virtual, para referendo da decisão.
O advogado Cleber Lopes, que atua na defesa de Paulo Henrique Costa, criticou a prisão do cliente. Disse que ele não “cometeu crime algum”.
“A defesa considera, num primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária. Mas, em respeito ao ministro André Mendonça, a defesa não vai fazer outras considerações acerca da decisão tomada, até que possa examiná-la com mais calma e possa tomar uma providência nos próprios autos”, afirmou à CNN. O BRB também foi procurado, mas até o momento não se posicionou a respeito do assunto.


