Reeleito presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf Nacional), Julião Flaves Gaúna avaliou de forma positiva o ciclo 2023–2026 da entidade e projetou os principais desafios da próxima gestão, que se estende até 2029. O industrial sul-mato-grossense também preside o sindicato estadual (Sindigraf-MS) e a Abigraf regional, além de integrar a atual diretoria da Fiems.
“Fizemos um roteiro intenso pelo Brasil, de norte a sul, visitando presidentes e associados, conhecendo a realidade local e ouvindo as demandas na ponta que fortaleceu o associativismo e devolveu protagonismo às regionais dentro da estrutura nacional”.
Julião Gaúna, reeleito Presidente da Abrigarf para o triênio 2026/30
Um marco importante do período foi a reintegração de seis estados das regiões Norte e Nordeste que haviam se desligado da Abigraf Nacional cerca de uma década atrás. “Encerramos o mandato com cobertura em todos os estados brasileiros. Isso é representatividade na prática e fortalece a defesa dos interesses do setor como um todo”, destacou.
Na avaliação de Gaúna, a Abigraf tem atuado de forma prática para apoiar o crescimento das empresas filiadas, principalmente as pequenas e médias, que representam cerca de 97% do setor. Por meio da Abitec, braço tecnológico da entidade, a associação tem levado capacitação, inovação e conhecimento técnico a regiões com menor acesso a esses recursos. “Não existe mais espaço para o medo da tecnologia. A indústria gráfica continua viva, ativa e se reinventando”, afirmou.
Segundo o presidente, um dos maiores desafios enfrentados nos últimos anos foi desmistificar a ideia de que o avanço do mundo digital significaria o fim do papel. A estratégia da Abigraf Nacional foi reposicionar o setor como “indústria de impressão e comunicação”, incorporando plataformas digitais, impressão sob demanda e novas aplicações tecnológicas. “Hoje o setor é híbrido. Offset e digital convivem no mesmo parque gráfico, ampliando produtividade e competitividade”, explicou.
O dirigente também destacou a relevância histórica da entidade, que completou 60 anos de atuação em 2025. A Abigraf Nacional se consolidou como um espaço permanente de articulação, troca de experiências e construção coletiva de soluções, com reuniões virtuais mensais e encontros presenciais anuais. Parte dessa história também é registrada pela revista Abigraf, que celebrou 50 anos de circulação, com distribuição bimestral em todo o país, em versão impressa e digital.
Ao traçar um panorama do setor, Gaúna apresentou números que demonstram a força da indústria gráfica brasileira: são cerca de 16 mil empresas em operação, aproximadamente 176 mil empregos diretos e participação de cerca de 1,5% do PIB industrial brasileiro.
Em Mato Grosso do Sul, o presidente avalia que o avanço da impressão digital tem impulsionado negócios fora dos grandes centros urbanos, com investimentos em equipamentos como plotters e soluções sob demanda.
Para a gestão 2026–2029, que começa oficialmente em junho, Julião Gaúna afirma que o foco será consolidar a confiança dos empresários na capacidade de crescimento do setor. “A indústria gráfica mundial emprega cerca de 4 milhões de pessoas e tem projeção de crescimento acima de 4% até 2028. Nosso papel é mostrar que investir no setor é investir em prosperidade”, afirmou.


