Destino consolidado de pesca esportiva sustentável, Corumbá é o maior município do Pantanal de Mato Grosso do Sul e surpreende o visitante com suas belezas naturais, rica cultura testemunhada pelos seus casarões centenários e manifestações populares, como o Banho de São João e o carnaval.
Com mais de 73% (censo do IBGE) da população afrodescendente – resultado da forte dependência de mão de obra escravizada na isolada região oeste, a partir do século 17 -, a denominada Capital do Pantanal, fundada em 1778, oferece um turismo histórico e sustentável diferenciado no Estado.

Conhecida também como Cidade Branca, Corumbá é cativante, hospitaleira e um museu a céu aberto, com expressivas referências do homem pantaneiro e do amor ao samba. Seu entorno revela a maior planície alagável do mundo, que pode ser desbravada em barcos ligeiros ou cruzeiros de até cinco dias em embarcações com piscina, serviço de bordo cinco estrelas e conforto.
Visitar esse lugar abençoado pela natureza se completa com a gastronomia influenciada pelas fronteiras com a Bolívia e o Paraguai e o quebra-torto das comitivas de gado. O destino está preparado para proporcionar grandes emoções em terra ou na água, o ano todo.
Os serviços ofertados propiciam um leque de opções de pacotes turísticos acessíveis a todas as idades, preparado pelos operadores locais. São roteiros para desfrutar em família ou em grupos.
Para quem programa uma viagem de carro, a partir de Campo Grande (são 420 km, pela BR-262), uma dica é conhecer a Estrada Parque Pantanal (na MS-184, 100 km após Miranda), que tem uma ótima estrutura para o ecoturismo em antigas fazendas. Os pacotes também podem ser agendados nos operadores da cidade, distante 120 km do atrativo.
Turistas de outras regiões do país têm a opção de chegar em voos diretos da Azul, quatro dias da semana, saindo de Viracopos (SP).
Remar pelo Rio Paraguai
No Porto Geral, às margens do Rio Paraguai, podem ser agendados passeios de caiaques, canoas havaianas (para seis pessoas) e stand-ups, com instrutores e tempo e distância a critério do turista. Agência leva o visitante a experiências para ficar na memória remando no principal rio pantaneiro. São passeios guiados ou com aluguel de equipamento, com direito a tomar banho no rio, com total segurança, e contemplar o pôr do sol.

A operadora também promove expedições em barcos a motor aos aquários naturais do afluente Paraguai-Mirim, distante 160 km da cidade, no coração do Pantanal, com paradas para banho e flutuação em águas cristalinas nas baias e corixos.
A região é rica em biodiversidade e conecta o visitante com as comunidades tradicionais. As trilhas aquáticas revelam o espetáculo da fauna e flora e uma profunda paz mental com o silencio do lugar e o som dos bichos.
Forte, natureza e memória
Circuitos culturais (a pé e de carro) pelo centro histórico são realizados de segunda a sábado, com degustação em uma casa de saltenha (tipo de empanado boliviano). O passeio inclui prédios centenários, como a Igreja de Nossa Senhora Candelária, Casario do Porto e Casa do Artesão, e também o Museu de História do Pantanal (Muhpan), Memorial do Homem Pantaneiro e o mirante do Cristo Rei do Pantanal (réplica do Cristo Redentor). Outra opção é conhecer a Caimasul, maior frigorífico de jacaré (criado em cativeiro) do mundo.

O receptivo também oferece viagens transformadoras e inesquecíveis pelo Pantanal, com day-use na Estrada Parque, incluindo cavalgada e almoço pantaneiro na Pousada São João, e expedições às águas cristalinas do Rio Paraguai-Mirim e ao bicentenário Forte Coimbra (passeio terrestre), palco da Guerra do Paraguai (1864-1870). Os cruzeiros à Serra do Amolar, uma das regiões mais preservadas do Pantanal, em barcos-hotéis, têm duração de até cinco dias.
No rastro da onça-pintada
Com a experiência sobre o ambiente pantaneiro adquirida em 28 anos de atividades, dona Luceni Alves, a Lu, pilota o barco do Expresso Zé Leôncio pelo Rio Paraguai todos os dias, levando grupos de turistas brasileiros e estrangeiros para desfrutar de passeios pela orla portuária.
A lancha para até 15 pessoas conduzida por uma mulher chama a atenção, mas Lu, 62 anos, transmite segurança e ainda faz o papel de guia turístico durante o passeio.

– “A gente conta a história da cidade, do forte (Junqueira, no alto da encosta), do Casario do Porto e da ladeira (Cunha e Cruz, onde se deu a retomada de Corumbá na Guerra do Paraguai, em 1867)”, diz ela.
A operadora realiza safari noturno para focagem de animais no Canal Tamengo, na fronteira com a Bolívia, com chances de observar a onça-pintada. “O turista fica maravilhado com o Pantanal, e se emociona também com o pôr do sol, no porto.”
Imagine avistar uma harpia!
Durante uma das expedições pelo Pantanal em 2023, para observação de aves e da vida selvagem, os turistas fizeram um registro inédito: o flagrante da águia harpia (ou gavião-real), a maior ave de rapina brasileira. A agencia que trabalha com birdwatching e opera cruzeiros de natureza, passeios fluviais, trilhas interpretativas e safaris fotográficos, lidera o monitoramento da espécie em Corumbá e atrai o mundo para o grande encontro com a espécie.

Fundada pelos biólogos Gabriel Oliveira e Rafael Souza, a empresa oferece roteiros personalizados para viajantes que desejam conhecer a biodiversidade pantaneira, com acompanhamento de guias especializados. Os roteiros incluem focagem noturna para observação de corujas, mamíferos e outros animais; expedições exclusivas para fotografia e observação de espécies raras; caminhadas em ambientes naturais e excursões à Serra do Amolar.
Descobrindo as raízes negras
Pelas ladeiras, ruelas, às margens do Rio Paraguai e nas pedreiras das morrarias de Urucum os braços negros, ainda cativos, cantaram seus sonhos, suas dores e louvores a xangô. Após a libertação, expandiram seu olhar e sua voz através da literatura, pelos poemas do poeta corumbaense Lobimar Matos, e nas rezas e atos de cura de Mãe Cacilda, uma das precursoras da umbanda no Centro-Oeste que atraiu milhares de pessoas nos anos de 1970 à sua tenda.

Um circuito destinado a explorar a Corumbá negra leva o visitante às comunidades quilombolas, a vivências em terreiros ao som do atabaque e a eventos religiosos, como o sincretismo do Banho de São João. A operadora também organiza passeios pelo Pantanal (Serra do Amolar e Estrada Parque).
Terapia é acordar no Castelo
Um roteiro que oferece pesca esportiva, contato com a natureza, sossego e a boa comida pantaneira está próximo da cidade – e a viagem até esse lugar, apenas de barco, é uma experiência única proporcionada pela paisagem exuberante margeando o Rio Paraguai. Esse paraíso chama-se Baia do Castelo, a 90 km da área urbana, e o recanto simples, mas aconchegante, é a pousada Sol do Pantanal, em operação há dois anos com 21 leitos.
Margeando a baia, o empreendimento recebe turistas brasileiros e estrangeiros atraídos pela tranquilidade do lugar. Além da estrutura para pesca, oferece trilhas e passeios de barco com parada para contemplar o pôr do sol, um dos mais belos do Pantanal. “Acordar de manhazinha ouvindo os sons da natureza, o cantar de pássaros e o cheiro de mato é uma terapia”, diz a gerente Lisianne Gomes. A pousada também tem rota fluvial para o Paraguai-Mirim, 70 km rio acima.
Saiba mais
www.pantanalpaddle.com
www.lrtravelexperience.com.br
@ze_leonciopasseios
www.icterusecoturismo.com
www.belaoya.com.br
@pousada.soldopantanal
***Texto: Sílvio Andrade


