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sábado, 18 abril 2026
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TIG, do BTG Pactual, capta mais US$ 370 milhões para projetos de restauração florestal

A estratégia segue o modelo chamado “core”, com foco em ativos florestais de grande escala e gestão sustentável. Os investimentos devem se concentrar em três mercados da região — Chile, Uruguai e Brasil — com diversificação entre geografias, condições climáticas, espécies cultivadas e consumidores.

O BTG Pactual Timberland Investment Group (BTG Pactual TIG) anunciou no final desta semana o primeiro fechamento de sua nova estratégia de investimentos florestais na América Latina, com US$ 370 milhões em compromissos de capital.

O movimento marca o início de uma captação mais ampla, que tem como meta atingir US$ 1,5 bilhão ao longo dos próximos cinco anos.

Atualmente, o BTG Pactual TIG administra cerca de 1,2 milhão de hectares de ativos florestais nos Estados Unidos e na América Latina, com uma equipe de aproximadamente 160 profissionais distribuídos em 23 escritórios.

Mato Grosso do Sul

O BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG), está implantando projetos de restauração de florestas em 11 mil hectares no estado de Mato Grosso do Sul, já entrou no Uruguai e analisa chegar em outros biomas brasileiros como Amazônia e Mata Atlântica.

Há quatro anos, o banco lançou um veículo de investimento com o objetivo de conseguir US$ 1 bilhão em cinco anos para desenvolver projetos de restauração florestal na América Latina, com foco no Cerrado brasileiro. Os resultados têm sido promissores. Mais da metade da meta inicial de captação já foi alcançada – cerca de US$ 672 milhões, aporte feito pela GenZero, plataforma de investimentos em transição climática da Temasek, holding do governo de Singapura.

“O compromisso da GenZero reconhece nossa estratégia de reflorestamento na América Latina como um modelo de restauração em grande escala, baseada em ciência, capaz de gerar benefícios climáticos, de biodiversidade e sociais”, disse Mark Wishnie, líder da área de sustentabilidade do BTG Pactual TIG.

O banco oferece a opção de compra de créditos em áreas que ainda serão reflorestadas. Nesse modelo, a empresa que comercializa os créditos precisa ter a posse das terras. E o BTG adquiriu em 2022, por meio da subsidiária TIG, 46 mil hectares no Mato Grosso do Sul, em região de Cerrado.

A exploração de madeira e a geração de créditos de carbono serão as fontes de receita dos projetos. Microsoft e Meta estão entre os compradores de créditos de carbono, com contratos fechados no ano passado.

A Meta, de Mark Zuckerberg, adquiriu junto ao BTG 1,3 milhão de créditos de remoção de carbono, com opção para um adicional de 2,6 milhões de créditos até 2038. A Microsoft, por sua vez, efetuou a maior transação do gênero jamais registrada: contratou 8 milhões de créditos até 2043. Em termos territoriais, o BTG tem a obrigação de restaurar e proteger cerca de 260 mil hectares de Cerrado, em áreas de pastagens degradadas.

Mais de duas décadas do BTG Pactual TIG na América Latina

O BTG Pactual TIG atua na América Latina há mais de duas décadas e, ao longo desse período, estruturou e administrou diferentes plataformas florestais em larga escala. Entre os projetos citados pela gestora estão Lumin, Vista e Plateau, que integram um portfólio global de US$ 7,5 bilhões.

A nova estratégia já começou a ser implementada. A primeira aquisição foi realizada por meio do Projeto Plateau, anunciado em agosto de 2025. A iniciativa foi estruturada em parceria com a Klabin S.A. e a British Columbia Investment Management Corporation (BCI).

A plataforma reúne cerca de 100 mil hectares de ativos florestais maduros, manejados de forma sustentável, e foi uma das maiores transações do setor na América Latina.

Segundo a gestora, a estratégia busca capturar oportunidades ligadas ao crescimento da região, ao avanço tecnológico da indústria de produtos florestais e à presença de mercados domésticos e de exportação considerados sólidos. Além disso, o plano incorpora uma abordagem de impacto, com foco em benefícios climáticos, sociais e de biodiversidade.

“Este primeiro fechamento reforça nossa convicção de que a América Latina representa uma oportunidade atrativa para investimentos florestais, dadas suas características biológicas e estruturais únicas”, afirmou Matheus Moura, Head de gestão de investimentos para a América Latina do BTG Pactual TIG, em nota.

Ele acrescenta que a demanda cresce, assim como o interesse dos investidores institucionais por investimentos em ativos naturais, “incluindo soluções climáticas baseadas na natureza, créditos de carbono e ativos reais resilientes à inflação”.

Na mesma linha, Gerrity Lansing, Head do BTG Pactual TIG, destacou a experiência acumulada pela gestora na região como, por exemplo, na estruturação de transações, no manejo florestal sustentável e  arcabouços jurídicos nacionais.

“Essas capacidades nos permitiram desenvolver e gerenciar plataformas florestais em escala em toda a América Latina, gerando resultados estratégicos ao longo do tempo”, diz. Segundo ele, o objetivo “é seguir avançando com uma abordagem diligente e de longo prazo para fornecer materiais renováveis essenciais e gerar impactos positivos como um participante relevante no mercado”.

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